quinta-feira, 29 de setembro de 2016

6 razões para publicar na Amazon

(ou em qualquer outra plataforma de autopublicação online)


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Hoje em dia, a vida é muito menos complicada para o escritor iniciante do que era quando eu era uma jovem ingressante no curso de Letras (no século passado). Minha maior chance de pulicar alguma coisa sempre passava pela fagulha de esperança que se acendia a cada envelope que eu postava nos correios, quando me inscrevia em algum concurso literário (até cheguei a ganhar alguns, mas precisava bancar uma parte do valor da publicação, eu era uma universitária falida como tantos outros e acabei não lançando nada na época). Agora, além dos concursos (que continuam a existir), o escritor iniciante pode lançar mão das plataformas de autopublicação – que são sites nos quais é possível você publicar seu livro sem gastar quase nada.

O título cita a gigante Amazon justamente porque essa é a plataforma mais conhecida e mais utilizada pelos usuários brasileiros no momento. Mas há outras: Publique-se, Clube de Autores, PerseBookess, Writing Life, E-Galáxia... Algumas dessas plataformas possuem apenas a publicação virtual – os chamados e-books – enquanto outras possuem publicações virtuais e impressas, o que pode ser a forma mais fácil de um autor realizar o sonho de ter seu livro físico, impresso, em suas mãos.



1. Custo quase zero



Para lançar um livro digital, você precisa:

a) revisar o texto – sugiro a contratação de um profissional. Nossos olhos normalmente estão viciados em nossos próprios textos, e deixamos alguns erros escaparem;

b) diagramar o texto – essa parte não é tão difícil e normalmente as plataformas têm tutoriais ensinando a fazer tudo, passinho por passinho. A Amazon, por exemplo, tem vídeos explicando, inclusive, como utilizar os estilos para configurar seu documento de Word antes de transformá-lo no formato final a ser feito upload no site;

c) elaborar uma capa – se você manja dos editores de imagem da vida AND têm noções amplas de estética, você pode fazer sua própria capa – mas lembre-se de comprar os direitos de uma imagem ou utilizar imagens de bancos de imagens gratuitos. Já se você não é exatamente um fera da edição, eu recomendo que você contrate um capista. Por mais que a gente viva repetindo que não se deve comprar um livro pela capa, não podemos negar que a capa é o primeiro contato do leitor com seu livro. Se a capa não for atrativa, ele dificilmente lerá a sinopse.

d) publicar na plataforma – isso você consegue fazer sozinho.

No caso de livros físicos, as etapas são praticamente as mesmas, mas você vai precisar dar atenção especial à confecção da capa, que precisa seguir as medidas especificadas pela plataforma – e nem sempre isso é a coisa mais simples do mundo. No Clube de Autores, tem um gerador de capas – são capas simples, mas totalmente personalizáveis – e é possível que alguém com pouca noção de informática dê conta de editá-la.


2. Vale quanto pesa



Se você comparar o valor dos ebooks com o valor dos livros físicos, o livro virtual é uma excelente vantagem para quem compra. Enquanto um livro físico custa trinta reais, o mesmo livro em ebook custa oito reais. Qual é a vantagem disso? O leitor pode comprar mais livros com o mesmo valor. Pessoas que dizem que não compram livros por causa do custo podem mudar de ideia se o custo for menor. E é muito mais fácil carregar vários ebooks consigo do que vários livros.

Se o valor dos livros virtuais é uma vantagem, o fato de algumas pessoas não estarem habituadas à leitura em dispositivos como tablets, celulares e leitores digitais é uma desvantagem. Muita gente alega que nada é capaz de substituir o prazer da leitura de um livro em papel.

Por mais que seja possível fazer a autopublicação de livros físicos sob demanda – o leitor paga e a gráfica produz apenas o que foi comprado, um a um – o custo para esse tipo de publicação é muito alto. Por exemplo, um livro de mais ou menos 100 páginas, com o autor ganhando três ou quatro reais, pode sair por até quarenta reais (claro, sempre há promoções que baixam esse valor; ainda assim, é um valor alto por um livro não tão extenso).


3. Netflix de livros



Não posso falar de todas as plataformas, porque não as conheço. Mas a Amazon tem um programa muito interessante, tanto para quem escreve, quanto para quem lê. É o Kindle Unlimited. Nele, o leitor paga uma mensalidade fixa e pode ler, incluso no valor pago gratuitamente, qualquer livro que tenha sido cadastrado pelo autor no programa. Ou seja, é como uma Netflix de livros. Para o leitor, as vantagens são óbivas. E para o autor? Os percentuais pagos por livro de quem se inscreve nesse programa são maiores que para os autores que não aderem a ele (num livro normal, o autor ganha 30% do valor do livro virtual; no KDP Select, esse valor pode chegar a 70%). Além disso, o autor ganha por página lida. Assim, quanto mais leitores estiverem lendo seus livros, mais você ganha – e se a história agradar, ganha mais ainda, porque o leitor não vai desistir enquanto não chegar ao fim. A única desvantagem é que, quando um autor adere ao programa, seu livro digital precisa estar exclusivamente na Amazon.


4. Um bom começo



Quando você lança um livro, ele não pertence mais a você. Sua interpretação dele será apenas mais uma dentre todas as interpretações feitas pelos seus leitores. Assim, é comum que as pessoas comentem seu livro no espaço para comentários. Isso é uma faca de dois gumes. Comentários positivos atraem mais leitores para sua história. Comentários negativos os afastam.

Pensando nisso, leve em consideração: por mais que seja gratuito publicar numa dessas plataformas, pergunte-se: sua história está pronta para ganhar o mundo? Não estou dizendo que um começo ruim possa arruinar toda uma jornada, mas se você começar a receber uma série de comentários negativos – e eu que blogo desde 2004 sei que um hater puxa outro – pode acabar se desanimando.

Se você não tem certeza de que sua história está pronta, precisa conseguir leitores betas, pessoas que vão ler sua história e comentá-la, dizer o que acharam dela. O ideal é que seus betas não sejam familiares ou amigos próximos, porque essas pessoas têm a tendência de não serem imparciais: como elas gostam de você, elas vão acabar gostando do que você escreve.

Outra forma de mensurar sua história é lançá-la no Wattpad. Por lá, você não vai receber um centavo pelo que as pessoas lerem. Mas, de uma forma geral, algumas pessoas comentam sua história, apontando pontos fortes e pontos fracos – e você pode pensar em reescrever sua história tendo em mente esses comentários.


5. Construção de um público leitor



André Vianco, escritor brasileiro best-seller, diz que, mais importante que lucrar com seus primeiros livros, é a construção de um público leitor. Nesse sentido, as plataformas de autopublicação funcionam muito bem. Por mais que você não vá ganhar dinheiro o suficiente para sobreviver disso no início (quem dirá viver), você vai começar a ter leitores. Se esses leitores gostarem da sua história, eles vão indicar a outros leitores – e você conhece o efeito em cadeia.

Pensando somente nesse item, o Wattpad e o Nyah funcionam ainda melhor, já que nessas plataformas os livros estão disponíveis de forma gratuita – apesar de que na Amazon é possível colocar seu livro gratuito por cinco dias a cada três meses, para divulgar.


6. Receba sem sair de casa



Não sei como funcionam todas as plataformas, mas a Amazon do Brasil paga os royalties dos livros vendidos (e das páginas lidas, se seu livro estiver participando do KDP Select) via transferência eletrônica. Ou seja, para receber o seu dinheirinho, basta que você informe seus dados bancários e o dinheiro é depositado em conta – leva 60 dias após o fechamento do mês.



Desvantagem: Controle de qualidade



Há uma desvantagem que eu vejo na autopublicação: não há um controle de qualidade. Como é uma ferramenta de fácil acesso ao bom escritor iniciante, ela também é de acesso fácil ao escritor despreparado, que ainda não está pronto para lançar seu livro ao mundo. Assim, há pessoas que ainda têm preconceito com as obras autopublicadas. Mas, como eu já disse antes, se seu trabalho for bom, se seu livro estiver bem escrito, se tiver uma boa história a contar, você vai conseguir, sim, seu espaço e conseguirá construir um bom público leitor. Na dúvida, não hesite em contatar leitores beta para lerem e comentarem sinceramente sua obra antes de qualquer publicação.

Importante: Antes de fazer sua publicação em qualquer uma dessas plataformas, é importante REGISTRAR sua obra junto à Biblioteca Nacional. Assim, caso você descubra algum plágio, você terá seus direitos autorais garantidos.


A princípio, essas são as principais razões para lançar-se na jornada da autopublicação. E você, vê mais alguma vantagem? Alguma desvantagem? Vamos trocar umas ideias aqui nos comentários.


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